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Saúde e alimentação das crianças
Alimentação criança

Saúde e alimentação das crianças

A saúde e a alimentação das crianças é algo que nos interessa a todos. Ou porque somos mães e pais, avós, tios, educadores, profissionais de saúde. Ou porque simplesmente sabemos que isso vai afetar a saúde e o bem-estar das próximas gerações. Nós realmente estamos interessados, mas será que estamos atentos? 

Será que nos preocupamos de facto com a saúde e alimentação das nossas crianças?

Vejamos:

– Se o seu filho de 2 anos não for capaz de caminhar, vai, com certeza, ficar preocupado e procurar ajuda profissional para corrigir esta situação.

– Ou se uma criança de 4 anos ainda não fala, percebe que algo não está bem e que precisa de intervir e procurar uma solução.

Então, porque não nos preocupamos e não achamos igualmente relevante se uma criança de 2, 4 ou mais anos ainda não come fruta ao natural? Ou não come os legumes? Ou faz birras para comer? 

A importância do 1º ano

Da mesma forma que as crianças adquirem todas as outras competências, o comer saudável também se aprende! E existe um período e um momento ideal para que isso aconteça.

Acima de tudo, é no 1º ano de vida que se aprende a comer. Por um lado, a criança aprende a conhecer os alimentos: o que deve ou não comer e como estes devem ser comidos (líquidos ou sólidos, à mão ou com talheres, beber ou comer). Por outro lado, a criança desenvolve também todos os sentimentos e sensações que estão associados à alimentação: fome e sede, o que prefere e o que não gosta tanto, o frio e o quente, o doce e o amargo. 

  Posto isto, é fundamental que façamos o nosso papel para que esta aprendizagem aconteça da melhor forma possível! Lembre-se que, do mesmo modo que uma criança não aprende a caminhar depois de dar o 1º passo, também não aprende a gostar dos legumes ou da fruta depois de dar uma dentada. É preciso treiná-la e incentivá-la.

Pontos-chave para a alimentação das crianças

Há ainda muitos outros pontos importantes que devem ser ensinados nesta fase, mas podemos salientar alguns, pelo impacto que vão ter na saúde e na alimentação para o resto da vida:

 

O papel da alimentação na saúde

Sabemos, hoje em dia, que a alimentação influencia a saúde desde a gravidez e ao longo de toda a vida. Assim, um adulto terá tanta mais saúde, quanto mais saudável foi a sua alimentação durante o seu desenvolvimento. Sabemos também que várias doenças e complicações de saúde, que afetam a qualidade de vida, estão associadas a maus hábitos alimentares. Podemos destacar a obesidade, os problemas cardiovasculares, diabetes, depressão e ansiedade, hiperatividade, problemas de sono, cansaço e baixa concentração, cancro, entre tantas outras. 

Então, se conhecemos estes factos, porque não fazemos nada para mudar a realidade atual? Se sabemos que a obesidade tem várias consequências negativas na saúde, físicas e mentais, agora e no futuro, porque deixamos que 30% das nossas crianças sejam obesas? Afinal, quem deve ser responsabilizado pelos danos e perdas na saúde das nossas crianças? Porque elas não são com certeza. Nós que somos mães, pais, avós, cuidadores, profissionais de saúde, devemos procurar dar a melhor alimentação possível às nossas crianças e ensiná-las a fazer escolhas saudáveis.

Porque ensinar a comer saudável?

A boa notícia é que nunca é tarde para melhorar a saúde e a alimentação das nossas crianças/jovens. Bem como para lhes ensinar bons hábitos alimentares. Claro que nem sempre é fácil. Podemos não saber exatamente como o fazer, mas estamos a falar do futuro das nossas crianças, vale a pena o esforço e o nosso tempo.

Outro aspeto animador é que, à semelhança das outras competências que as crianças aprendem, também o comer de forma saudável nunca mais se esquece. No mesmo sentido, pode achar que dá trabalho e que custa imenso ensinar as crianças a ter uma alimentação saudável. Mas a verdade é que, depois de aprenderem a comer de forma adequada, vão fazê-lo naturalmente, para o resto da vida. 

Posto isto, será então que não vale a pena promovermos uma alimentação saudável nas nossas crianças e jovens? Eu só consigo achar que sim. Faz todo o sentido darmos o melhor às nossas crianças agora, sobretudo porque temos a garantia que será o melhor para o seu futuro. 

Vamos melhorar a alimentação das crianças

Mas falar pode parecer mais fácil do que fazer. No entanto, há pequenos passos e mudanças que podemos começar já a fazer para melhorar a saúde e a alimentação das crianças/jovens.

a)       Vá com calma, não precisa de mudar toda a alimentação das suas crianças/jovens de um dia para o outro. Aprender a comer bem também leva o seu tempo.

b)   Faça uma análise dos hábitos alimentares das suas crianças/jovens e identifique que aspetos são mais urgentes de modificar. Baseie-se na roda dos Alimentos e nas suas recomendações para uma alimentação saudável e tente perceber o que está a fazer diferente e o que pode melhorar.

c)  Ouça e respeite a criança/jovem, atenda aos seus gostos e preferências. Da mesma forma que nós, adultos, não gostamos de determinados alimentos, as crianças/jovens também podem não apreciar alguns alimentos. Isso é normal e não é preocupante, desde que comam alimentos equivalentes (p.ex frutas ou legumes). No mesmo sentido, escute e respeite quando a criança/jovem lhe diz que não quer comer mais ou que quer repetir. É claro que tem de avaliar a situação e perceber o que é de facto saciedade e fome ou o que é apenas uma forma de não comer aquela refeição ou gulodice.

d)  Tenha em casa e à vista dos mais novos, apenas alimentos saudáveis. Deixe sempre opções saudáveis à mão, para que as crianças/jovens possam comer e beber quando sentirem fome ou sede (água e fruta, p. ex).

e)      Acima de tudo, você é o exemplo. As crianças/jovens aprendem a imitar, por isso, o mais provável é que façam o que vêm fazer. Se você tiver comportamentos e uma alimentação saudável, o mais certo é que as suas crianças/jovens também tenham. Posto isto, um paço importante para melhorar a saúde dos seus pequenos é melhorar a sua saúde também.

f)        Lembre-se que os alimentos servem para alimentar e saciar a fome, não os use para outras funções: não faça chantagem com a comida nem a ofereça como recompensa por algo; se sentir que deve compensar as crianças/jovens por alguma coisa, não use a comida.

g)      Recorde-se e transmita às suas crianças/jovens que o que torna os bons momentos especiais não são os doces ou salgados, mas sim todo o contexto. Temos o hábito de associar sempre alimentos pouco saudáveis a momentos que nos são especiais. Isso faz com que, sempre que nos sentimos mais em baixo, recorramos a este tipo de alimentos. Experimente alimentos e receitas saudáveis e apetitosas e prepare-as com carinho para os vossos momentos especiais.

h)      Valorize os alimentos naturais e frescos. De um modo geral, reduza os alimentos embalados (exceto ultracongelados). Por norma, estes tendem a ser mais processados e contêm mais corantes e conservantes, sendo também mais pobres em nutrientes importantes.

i)   Ensine as suas crianças/jovens a comer devagar, sem distrações (como a televisão) e a saborear os alimentos.

Vamos estar atent@s às nossas crianças

Para além destes pequenos ajustes que pode ir fazendo no seu dia-a-dia, é ainda fundamental que esteja atenta/o a alguns sinais de alerta:

1)  Excesso de peso ou obesidade – se suspeita que a sua criança/jovem tem excesso de peso deve fazer a sua avaliação o mais rápido possível (nutricionista, pediatra, médico de família).Caso se confirme alguma destas situações, mesmo que seja só excesso de peso, não deve ser desvalorizado. Ainda que os danos para a saúde não sejam tão graves, o facto de uma criança/jovem ter excesso de peso significa que o seu estilo de vida não está adequado e que a sua alimentação não é a mais saudável. Em qualquer dos casos, é importante que se atue o quanto antes, no sentido de corrigir a situação e reverter o aumento de peso.

2) Problemas digestivos – o aparelho digestivo de uma criança saudável deve funcionar corretamente e o trânsito intestinal deve ser regular. Assim, deve ficar alerta se a sua criança/jovem sofre de obstipação ou tem dificuldades em fazer cocó. Ou ainda se tem diarreias frequentes, ou vomita regularmente, ou se tem a barriga muito inchada. Qualquer uma destas situações, se for repetida e frequente, pode indicar algum problema no sistema digestivo que precisa ser resolvida o quanto antes.

3)   Reação a alguns alimentos – se percebe que a criança/jovem desenvolve alguns sintomas após as refeições, pode sugerir que faça reação a algum alimento ou grupo de alimentos (dificuldades respiratórias, sintomas na pele, vómitos ou diarreia). Esta situação tem de ser avaliada o quanto antes no sentido de ajustar a dieta.

4)  A partir do 1º ano, a criança já deve fazer uma alimentação idêntica à da restante família, comendo basicamente alimentos ao natural. Qualquer situação diferente, deve ser corrigida. É o caso da fruta – a única fruta que deve ser comida é a fruta natural e fresca; o caso dos alimentos sólidos, que devem ser todos mastigados – podem ser partidos em pedaços pequenos, mas não constantemente em papas ou purés.

5)  Subnutrição, isto é, ingestão de alguns nutrientes abaixo do recomendado, sendo os mais frequentes as vitaminas e os minerais. Mesmo que o peso esteja adequado, podem existir défices de alguns nutrientes. Alguns sintomas podem ser: infeções constantes, cansaço, irritabilidade, cabelo e unhas fracos, manchas nas unhas, pele seca, interior da boca e dos olhos pálidos e feridas constantes no interior da boca.

     A presença destes sinais de alerta significa que o estado de saúde e a alimentação das suas crianças/jovens devem ser avaliados. A intenção é que se corrija a alimentação o mais cedo possível, minimizando assim possíveis efeitos negativos. 

Conclusão

Resumindo, importa reforçar que a alimentação saudável é muito mais do que estética e do que moda. Uma alimentação saudável está na base da saúde, física e mental, e na melhoria da qualidade de vida de cada um de nós. É na infância que mais importa melhorar hábitos alimentares, tanto pelas consequências imediatas na saúde geral das nossas crianças/jovens, como pelo impacto que isso terá ao longo da sua vida. E é de nós, adultos, que depende essa mudança. Vale ainda referir que os hábitos alimentares da infância tendem a manter-se na idade adulta e que, em qualquer momento, somos o que comemos.

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