fbpx
O apetite das crianças
Alimentação criança

O apetite das crianças

Todos temos preferências e apetites distintos e, com as crianças, não é diferente. Os bebés e as crianças não comem todos de igual modo e, mesmo ao longo do crescimento, a criança passa por fases em que tem mais apetite e outras em que tem menos.

Estas variações levam muitos pais a questionar a saúde dos seus filhos e a fazer longas pesquisas na tentativa de resolver os problemas do apetite das crianças. 

 

Como varia o apetite das crianças

O apetite , ou seja, a vontade de comer, varia de criança para criança. Por um lado, há crianças com grande apetite, que adoram comer e que estariam sempre agarradas à comida. Por outro lado, há crianças com um apetite reduzido, que, no geral, não gostam de comer e que, se pudessem, fugiriam da comida a sete pés. 

Além disso, a mesma criança tem diferentes relações com a comida ao longo do seu crescimento, passando naturalmente por períodos de maior apetite e outros de apetite mais reduzido.

O que influencia o apetite das crianças

O apetite depende de inúmeros factores, tais como:

  • genéticos e fisiológicos, sendo próprios de cada criança.
  • relação que a criança estabelece com a alimentação, nomeadamente as sensações e emoções que aprende a associar às refeições
  • hábitos alimentares, desde o tipo de alimentos ingeridos, os horários e se as refeições são ou não feitas em família
  • fase do desenvolvimento da criança, nomeadamente picos de crescimento:

Crianças que não gostam de comer

Crianças naturalmente com baixo apetite

Por norma, as crianças mais ativas e energéticas tendem a gostar menos da hora da refeição.  Ainda que possam ter um grande apetite, comem rapidamente e sem perder muito tempo à mesa. Nestes casos, é frequente as crianças esquecerem-se de comer e de beber durante as brincadeiras.  

Acima de tudo, importa realçar que as crianças com pouco apetite tendem a não apreciar o ato de comer e a refeição propriamente dita. Isto é diferente de crianças com maus hábitos alimentares que apenas não gostam de comer determinados alimentos (geralmente os mais saudáveis).

No entanto, de um modo geral, estas crianças comem a quantidade necessária de alimentos. Mesmo que o façam de forma rápida e que nos pareça pouca quantidade, por norma, não há evidência de que estas crianças precisem de qualquer suplementação. 

De salientar que uma criança com baixo apetite, nunca deve ser encorajada a comer através do suborno e da oferta de alimentos pouco saudáveis.

Influência do ambiente no apetite

Podemos ainda incluir neste grupo as crianças que “aprenderam a não gostar de comer”. Isto é, crianças que associam o ato de comer e a hora da refeição a más recordações ou a emoções negativas. Este grupo engloba aquelas crianças que habitualmente passam por longos períodos de birras durante as refeições ou que, por qualquer motivo, se sentem desconfortáveis durante a hora de comer. 

Ora, temos uma criança que já não aprecia a hora da refeição. Certamente que se associarmos pais ou encarregados de educação com pouca paciência e que passam a hora da refeição a discutir e a travar batalhas com a criança, isto só irá piorar a relação que a criança tem com a comida

Importância do exemplo no apetite das crianças

Como tudo nas crianças, também os hábitos alimentares e a relação com a comida se aprendem com os exemplos, nomeadamente das pessoas mais próximas. Uma criança que não vê os pais e familiares a fazerem refeições estruturadas. Ou uma criança que não é incluída nas refeições. Provavelmente, nestes casos, a criança não irá sentir grande prazer em estar sentada sozinha à mesa a olhar para a comida. 

Da mesma forma, se os pais ou familiares manifestam emoções negativas durante a hora da refeição, é muito provável que a criança associe essas emoções ao ato de comer.

  • Por exemplo: um pai ou mãe que chega cansado do trabalho e tem de preparar o jantar. Lamenta-se e resmunga durante toda a preparação da refeição. Senta a criança na mesa e mantém um ar abatido, triste e cansado. Embirra com a criança e discute por qualquer motivo, mantendo-se sempre com ar carrancudo. 

Afinal, porque haveria a criança de gostar deste momento? E, por norma esta, situação repete-se ao longo de vários dias! E a criança vai criando cada vez mais resistência à hora da refeição.

Crianças com grande apetite

Por outro lado, há crianças com um prazer inato pela comida e pelo ato de comer. Estas crianças não deixam passar uma refeição despercebida e, geralmente, enquanto houver gente a comer, elas estão lá.

Também nestes casos não nos referimos a crianças com maus hábitos alimentares e que são viciadas em doces ou salgados. Quando falamos em crianças com grande apetite, incluímos aquelas que gostam de comer, independentemente da comida em questão. 

Importância da oferta alimentar

A oferta de opções alimentares saudáveis é sempre importante. Contudo, nos casos em que a criança tem um grande apetite e procura comida com frequência, é de extrema importância assegurar que a criança como alimentos saudáveis. Uma criança que tenha maior apetite não tem de ser, nem deve ser, mais gorda. 

Na mesma linha do que foi dito para as crianças com pouco apetite, também as crianças com mais apetite conseguem regular a sua ingestão e adequá-la às suas necessidades, desde que comam alimentos saudáveis. 

Apetite e estado emocional

Tal como acontece com os adultos, o aumento (e diminuição) do apetite das crianças pode ser uma manifestação de algum estado de espírito, como por exemplo, a criança pode começar a comer mais por se sentir aborrecida ou inquieta com alguma situação. 

Resumindo...

O apetite não é igual para todas as crianças, nem é sempre igual na mesma criança. Ao longo do seu desenvolvimento, a criança experimenta apetites e vontade de comer diferentes, sendo que os picos de crescimento correspondem, habitualmente, a um aumento do apetite.

Acima de tudo, qualquer que seja o apetite da criança, importa oferecer alimentos saudáveis e dar liberdade à criança para controlar a quantidade que quer comer. Devemos ainda tornar as refeições um momento de socialização, tão agradável quanto possível. 

Importa sobretudo ficar com a ideia de que somos todos diferentes e que, qualquer das duas situações, pode ser perfeitamente saudável, desde que gerida de forma saudável.

2 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *